sábado, 26 de janeiro de 2013

"Reality Shows na Minha Terra"

Sim, leitor benévolo, e por esta ocasião vou te explicar como nós hoje em dia fazemos a nossa televisão. Já não me importa guardar segredo; depois desta desgraça não me importa já nada. Saberás pois, ó leitor, como nós outros fazemos o que te fazemos ver.

Trata-se de um reality show, de um "jogo" — cuidas que vamos estudar a história, a natureza, os monumentos, as pinturas, os sepulcros, os edifícios, as memórias da época? Não seja pateta, senhor leitor, nem cuide que nós o somos. Desenhar caracteres e situações do vivo na natureza, colori-los das cores verdadeiras da história… isso é trabalho difícil, longo, delicado, exige um estudo, um talento, e sobretudo um tato!…

Não senhor: a coisa faz-se muito mais facilmente. Eu lhe explico. Todo o reality show precisa de: Quatro ou Cinco homens "sarados". Um ou dois homossexuais. Uma ou duas homossexuais. Um diretor carrasco. Sete gostosas que topem fazer tudo. Vários telespectadores alienados, e um apresentador intelectual capaz para intermédios. Ora bem; vai-se aos figurinos quase nus, de C&A, de Riachuelo, e recorta a gente, de cada um deles, as figuras que precisa, gruda-as sobre uma casa luxuosa, forma com elas os grupos e situações que lhe parece; não importa que sejam mais ou menos disparatados. Depois vai-se às crônicas, tiram-se um pouco de nomes e de palavrões velhos; com os nomes crismam-se os figurões, com os palavrões iluminaram…(estilo de pintor pintamonos). E aqui está como nós fazemos a nossa televisão original.

Desculpe-me Almeida Garrett. Tive que picotar suas "Viagens na Minha Terra" para essa sátira/crítica...